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Sócia da SAF do Juventus, Reag é alvo de operação que apura lavagem de dinheiro para o PCC

by Agência Hotz

Coração financeiro do Brasil, a Avenida Faria Lima, em São Paulo (SP), experimentou um verdadeiro turbilhão de emoções, na manhã desta quinta-feira (28), em decorrência da megaoperação liderada pela Polícia Federal (PF), batizada de “Carbono Oculto”.

Criada inicialmente para apurar irregularidades em postos de gasolina, a investigação, que mobilizou cerca de 1,4 mil agentes em todo o país, descobriu uma rede criminosa que operava em toda a cadeia de distribuição de combustíveis e que usaria fundos de investimento para lavar dinheiro em benefício do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Entre as empresas que operam no mercado financeiro e se tornaram alvo da operação da PF está a Reag Investimentos, que se tornou conhecida no meio esportivo por conta de alguns investimentos recentes recentes feitos nessa área.

No fim do ano passado, a companhia firmou patrocínio ao zagueiro Vitor Reis, revelado pelo Palmeiras, em contrato com dez anos de duração.

Em 2025, a empresa decidiu ir além e adquirir o controle da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Juventus, da Mooca, constituída no fim de junho.

A Reag integra um consórcio que conta com a participação da Contea Capital e que é assessorado pela P&P Sport Management, empresa com sede no principado de Mônaco e que agencia uma série de atletas ao redor do mundo, entre eles Vitor Reis, atualmente do Manchester City.

A sede da Reag, em São Paulo, foi visitada por agentes da PF, que cumpriram mandado de busca e apreensão no local. O fato foi reconhecido pela própria empresa, em comunicado enviado à imprensa:

A REAG INVESTIMENTOS S.A. (“Reag Investimentos”) e a CIABRASF – CIA. BRASILEIRA DE SERVIÇOS FINANCEIROS S.A. (“CIABRASF”, em conjunto com a Reag Investimentos, as “Companhias”), em cumprimento ao disposto no artigo 157, §4º, da Lei n.º 6.404, de 15 de dezembro de 1976, conforme alterada, e na Resolução CVM nº 44/2021, informam aos seus acionistas e ao mercado em geral que, na data de hoje, estão sendo cumpridos mandados de busca e apreensão em suas respectivas sedes no âmbito da Operação Carbono Oculto.

Trata-se de procedimento investigativo em curso. As Companhias esclarecem que estão colaborando integralmente com as autoridades competentes, fornecendo as informações e documentos solicitados, e permanecerão à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais que se fizerem necessários.

As Companhias manterão seus acionistas e o mercado informados sobre o desenvolvimento dos assuntos objeto deste Fato Relevante.

São Paulo, 28 de agosto de 2025

A nota é assinada por Dario Graziato Tanure, diretor-presidente e de relações com investidores da Reag, e Thiago Souza Gramari, da Ciabrasf.

Investigação

A Operação Carbono Oculto identificou ao menos 40 fundos de investimento que seriam usados para movimentar recursos ilícitos do PCC, em um patrimônio que totalizaria R$ 30 bilhões.

A Reag tornou-se alvo da operação por conta de um fundo responsável pelas aquisições de empresas, usinas de etanol e ocultação de patrimônio dos investigados.

Informações divulgadas pelo blog do jornalista Fausto Macedo, no Estadão, mostram que a companhia administra o Location Fundo de Investimentos e Participações Multiestratégia.

O fundo em questão seria do empresário Mohamad Hussein Mourad, proprietário da distribuidora Aster Petróleo, uma das investigadas pela operação.

O investidor seria ligado ao empresário Roberto Augusto Leme da Silva, mais conhecido como Beto Louco, e também à formuladora de combustíveis Copape, além de supostamente comandar uma rede de postos operados por “laranjas”.

O Location contava com apenas um investidor, de nome Renato Camargo, que realizou cinco depósitos no fundo, totalizando R$ 54 milhões.

Essa quantia seria incompatível com o patrimônio do cotista, fato que levou o Banco Santander a comunicar a anomalia ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Pelo menos R$ 45 milhões depositados pelo suposto “investidor” seriam, na verdade, provenientes de uma conta pertencente a Mourad.

O dinheiro que Camargo aplicou no Location foi usado na compra da Gasp Investimentos, controladora da Copape e da Aster.

Ainda segundo a publicação de Macedo, Walter Martins Ferreira III, um dos sócios da Reag, teria ajudado a ocultar o verdadeiro beneficiário do fundo Location.

A operação da PF também apura a participação do BK Bank, que teria sido usado para realizar as movimentações financeiras do grupo investigado.

Due diligence

A Máquina do Esporte procurou o presidente do Juventus, Dilson Tadeu Deradeli, mas nem o dirigente nem a assessoria de imprensa do clube retornaram as ligações.

O presidente do Conselho Deliberativo do Juventus, Carlos Eduardo Gomes Pedroso, também não respondeu às tentativas de contato.

A Assembleia de Sócios que autorizou a venda da SAF ao consórcio formado por Reag e Contea ocorreu em 28 de junho deste ano.

A proposta apresentada pelas duas empresas previa a realização de uma due diligence jurídica, contábil, financeira e de governança do clube, que teria início logo após a aprovação da SAF. Essa análise, que avalia os potenciais riscos de um negócio, tem um prazo de até 90 dias para ser concluída.

Portanto, em tese, a operação na sede da companhia candidata a dona da SAF ocorre justamente no período em que estava prevista a realização da due diligence.

O consórcio levou a melhor sobre o conglomerado italiano AlmavivA e a brasileira Total Player, representada pelos irmãos Paulo e Calucho Jamelli. Inicialmente, os dois grupos entraram na disputa de maneira individual, mas acabaram optando por não apresentar suas propostas aos conselheiros, alegando suposto favorecimento à Reag/Contea.

Posteriormente, AlmavivA e Total Player decidiram unificar sua oferta, prontificando-se a pagar R$ 37 milhões pela compra de 90% da SAF.

O consórcio vencedor, por sua vez, ofereceu R$ 20 milhões pelo controle do futebol do Moleque Travesso. Tanto a proposta de Reag/Contea quanto a de AlmavivA/Total Player previam investimentos de até R$ 500 milhões, no decorrer do contrato.

“É uma honra para a Reag Capital Holding fazer parte desse novo capítulo da história do Clube Atlético Juventus. Como sócio do clube, ex-atleta de basquete, oriundo da Mooca e de família italiana, é particularmente importante este processo, e vamos trabalhar com seriedade e profissionalismo para devolver o Juventus ao lugar que nunca deveria ter saído, ou seja, o topo do futebol estadual”, afirmou João Carlos Mansur, à época em que a decisão foi sacramentada.

Em 23 de julho deste ano, Federico Pastorello e Claudio Fiorito, sócios da P&P Sports Management e representantes da Reag no negócio, estiveram na sede do Juventus.

Federico Pastorello e Claudio Fiorito visitaram a sede do Juventus em junho deste ano – Divulgação / Juventus

“A visita reafirma o alinhamento entre os representantes da SAF e a governança do clube, marcando mais um passo importante rumo à nova fase institucional e esportiva do Juventus”, afirmou a nota, veiculada no site oficial do time grená.

Vale lembrar que a assinatura dos documentos definitivos de venda da SAF para Reag/Contea só ocorrerá após a conclusão da due diligence. A partir de então, os compradores deverão realizar de maneira imediata o aporte de R$ 20 milhões, previsto na proposta.

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