Em busca de uma solução definitiva para sua dívida, que alcança valores declarados na casa de R$ 1,3 bilhão (embora o Relatório Convocados/Outfield 2025 estime que o total já ultrapasse R$ 2,3 bilhão), o Atlético-MG realizará, no próximo mês, uma reunião que poderá selar o futuro de sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
No dia 4 de agosto, o Conselho Deliberativo do clube associativo votará uma alteração no estatuto da SAF, mais especificamente a cláusula antidiluição hoje em vigor.
A norma garante, em qualquer circunstância, que o clube associativo terá direito a 25% do capital da SAF.
Em entrevista concedida no último sábado (19) à Rádio Itatiaia, de propriedade de Rubens Menin, acionista majoritário da sociedade anônima do Galo, o CEO Bruno Muzzi referiu-se à cláusula antidiluição como sendo uma “barreira quase intransponível para o Atlético-MG receber novos investimentos”.
“O que estamos conversando e propondo ao Conselho é que a cláusula antidiluição, que mantém um percentual fixo da associação de 25%, seja revista para que não haja essa trava, para que na eventualidade de novos aportes, seja de investidores externos – que é a prioridade –, isso não impeça esse investimento de um terceiro”, disse Muzzi.
O que é cláusula antidiluição
No mundo corporativo, de um modo geral, cláusula antidiluição é um dispositivo que busca proteger a participação de capital do investidor em uma empresa, caso ela realize novas emissões de ações.
Com isso, esse investidor consegue manter seu percentual de capital e o poder de voto para definir os rumos da empresa.
No caso das SAFs brasileiras, que atuam segundo legislação específica e estão constituídas ainda em modelo fechado (sem negociar ações no mercado), a questão da diluição pode não aparentar um problema sério.
Em outros países, porém, investidores de times de futebol já puderam sentir os impactos que a diluição acionária pode provocar.
Foi o que ocorreu com o investimento da 777 Partners no Genoa, da Itália, em dezembro do ano passado. Afundada em crise, a empresa ainda detinha o controle acionário da equipe.
Para se livrar da 777 Partners, o clube promoveu uma Assembleia Legal de Acionistas, que autorizou um aumento de capital em € 45 milhões. As novas ações emitidas foram compradas pelo bilionário romeno Dan Şucu, que assim passou a deter 77% do Genoa. A partir de então, a empresa norte-americana deixou de administrar o negócio.
Novo investidor
Segundo Muzzi, no caso do Atlético-MG, a alteração na cláusula antidiluição não trará prejuízos ao clube. “Os poderes que ela [a associação] tem com 25%, com 15%, com 12% ou com 10% são exatamente os mesmos”, explicou.
Ele lembrou que a mudança proposta não afetaria apenas o percentual acionário do clube associativo, mas de todos os demais investidores atuais da SAF.
“Se houver um investidor, todos serão diluídos. A partir do momento que você recebe um investidor, todo o bolo cresce. Se você tem uma propriedade de 100 mil, com 50 mil para cada um, chega um terceiro que coloca mais 50 mil, a propriedade passa a valer 150 mil. Os dois sócios originais seguem com 50 mil aplicados na sociedade, mas, ao invés de deterem 50% da empresa, eles passam a ter 33%”, afirmou.
Na entrevista à emissora de rádio, Muzzi informou que o Atlético-MG vive um processo inicial de busca de um novo investidor, mas que o nome de quem fará o eventual aporte ainda não está definido.
“É um processo longo, complexo e que demanda tempo. Não existe nenhum investidor, existe um processo inicial em busca desse investidor. Qualquer coisa que se fale sobre a família Menin aportar R$ 200, R$ 500, R$ 800 milhões não procede, é falso. É fake new. O que existe é um processo junto ao Conselho para que ele possa avaliar essa cláusula antidiluição”, disse Muzzi.
De acordo com o CEO, o objetivo principal da SAF, neste momento, é conseguir um investidor externo.
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