O apetite dos investidores dos Estados Unidos pelos clubes de futebol da Europa ganhou um novo capítulo em 2020, quando, no auge da pandemia da covid-19, que paralisou campeonatos e fechou estádios, os atores norte-americanos Ryan Reynolds e Rob McElhenney adquiriram o Wrexham, time que disputava a quinta divisão inglesa e dependia da ajuda de torcedores para seguir funcionando.
Enquanto os grandes fundos de investimentos voltavam suas atenções a clubes renomados e já consolidados como Chelsea ou Milan, em negócios bilionários, Reynolds e e McElhenney optaram por investimentos mais modestos e que consistiram em levantar um clube praticamente do zero, a partir uma estratégia midiática que utiliza a fama dos donos para alavancar os negócios da equipe.
O “modelo Wrexham de gestão” deu muito certo nesse caso, tanto que o clube tem uma série de TV para chamar de sua, retornou à Championship depois de mais de quatro décadas e ainda prepara o projeto ousado de reforma do Estádio Racecourse Ground, cuja capacidade deve saltar de 12,6 mil para 55 mil lugares.
Comprado por £ 2 milhões, hoje o Wrexham está avaliado em £ 100 milhões. Uma estratégia tão bem-sucedida certamente inspiraria outros figurões no mundo do entretenimento.
Nesta quinta-feira (17), o rapper norte-americano Snoop Dogg iniciou aquilo que poderia ser chamado de seu próprio “Welcome to Wrexham”.
O músico foi apresentado como um dos novos proprietários do Swansea City, time que também disputa a Championship.
Para anunciar a chegada do cantor, o clube publicou nas redes um vídeo com um artista desenhando um mural com a imagem de Snoop Dogg.
Além do rapper, o negócio conta com as participações dos investidores norte-americanos Brett Cravatt e Jason Cohen, além do jogador croata Luka Modric, que acaba de ser contratado pelo Milan, da Itália. Os valores da compra da equipe não foram divulgados.
Snoop Dogg deverá ser o grande embaixador da equipe, seja por possuir uma legião de dezenas de milhões de seguidores nas redes sociais, seja porque, em tempos recentes, o músico tem intensificado sua atuação no universo esportivo.
Ele foi uma das grandes atrações da cobertura dos Jogos Olímpicos de Paris 2024 pela NBC, com o rolê nada aleatório pela capital francesa, batizado de “Follow the Dogg”.
Construção de uma rivalidade
Ao anunciar a chegada de Snoop Dogg, o Swansea aproveitou para alfinetar o Wrexham, numa clara tentativa de criar uma rivalidade com o adversário famoso. “Nós somos o orgulho de Gales”, diz a legenda da publicação.
A possível rivalidade entre os times das celebridades hollywoodianas tende a favorecer a ambas, já que servirá para atrair os holofotes da mídia para times que eram desconhecidos do grande público.
Assim como o Wrexham, o Swansea City também é sediado no País de Gales, uma das nações que formam o Reino Unido. As equipes de lá estão vinculadas às organizações do futebol inglês.
Diferentemente do Wrexham, porém, o Swansea City é um clube mais estruturado, a começar por estar localizado em uma cidade maior, com quase 240 mil habitantes (a segunda maior de Gales), contra apenas 63 mil da que sedia o time concorrente.
O Swansea City conta com um estádio com capacidade para 21 mil torcedores, já foi promovido para a antiga primeira divisão inglesa, em 1981, e também para a Premier League, em 2011, além de haver conquistado a Copa da Liga, em 2013, ao derrotar o Bradford na final, e disputado a Europa League.
Se o Wrexham hoje conta com uma série própria com três temporadas, exibida pelo FX, o Swansea City também já fez sua incursão pelo mundo do audiovisual.
Em 2014, foi lançado o documentário britânico “Jack to a King”, que narra a trajetória da equipe, que quase fechou as portas ao ser rebaixada à quarta divisão inglesa nos anos 1980, até retornar à Premier League, na década passada. O nome do filme faz referência ao apelido pelo qual o time é conhecido.
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